Mulheres Fantásticas do Terror: Lois Weber

junho 26, 2019






Filmes de invasão domiciliar são comuns na filmografia do cinema de terror. Hush, Quando um Estranho Chama, entre outros títulos, são películas bastante apreciadas e conhecidas. Mas o que talvez você não saiba é que foi uma mulher que ajudou a consolidar esse tipo de narrativa cinematográfica. Estou falando da diretora estadunidense Lois Weber. A cineasta é um dos nomes mais importantes do começo do cinema e foi uma das primeiras diretoras do gênero terror. Além disso, seu currículo é extremamente criativo e transgressor. Ela abordava temas bastante controversos para a época e trouxe elementos novos para a produção cinematográfica.

Biografia


Florence Lois Weber nasceu em 13 de junho de 1879, em Allegheny (Pensilvânia). Começou a trabalhar com cinema em 1905, estrelando o filme Hipocrytes (1908), dirigido por Herbert Blaché (então marido de Alice Guy Blaché). Ela foi a primeira diretora de cinema dos Estados Unidos  e sua estreia aconteceu no ano de 1911, quando co-dirigiu a película A Heroine of ’76. Até o ano de 1934, Weber dirigiria 140 filmes. Quando não estava por trás das câmeras, Lois atuava, produzia e escrevia roteiros. 

Uma coisa que chamava baste atenção no trabalho da diretora era a sua vocação para fazer filmes que possuíam uma crítica social muito aguçada. Ela levou para as telonas histórias que falavam sobre aborto, drogas, prostituição, política... E inclusive chocou a sociedade da época mostrando uma cena de nudez frontal. Seu trabalho tinha tanta visibilidade, que fez que ela conseguisse um lugar ao lado de outros diretores famosos da época na Motion Picture Directors Association. Ela foi a única mulher da organização por muitos anos.

Pioneira do terror

No campo técnico, Lois foi a criadora de técnicas de split-screen, que diviam a tela em duas ou mais quadros. A ferramenta ampliou os recursos narrativos. Além disso, essa gênia do cinema foi a responsável por co-dirigir um dos primeiros filmes de invasão domiciliar da história, chamado Suspense (1913). A película seria um dos primeiros filmes de terror dirigidos por uma mulher. Estrelado por Lon Chaney (um dos atores mais importantes da história do horror) e pela própria cineasta, o filme abordava a seguinte trama: uma mulher está sozinha em casa com seu bebê e um andarilho invade a residência. A história é contada com o auxílio de split-screen, formando três janelas, onde podemos ver em alguns momentos a ação do bandido, o desespero da esposa e a reação do marido ao receber a ligação. Além disso, outros elementos são mostrados, deixando a situação ainda mais aterrorizante, com o momento em que o bandido corta o fio do telefone enquanto a esposa fala com o marido e se apossa da faca para perseguir a vítima. Esse pequeno filme de 11 minutos influenciou vários diretores de suspense e consolidou essa narrativa que seria explorada em tantos outros filmes até os dias atuais.

Lois teve uma carreira em ascendência por muitos anos, mas uma série de mudanças no cenário cinematográfico fizeram que as pessoas perdessem o interesse pelos filmes. Sua última película foi realizada em 1934 e a diretora viria a falecer 5 anos depois, aos 60 anos. Depois de conhecer o estrelato e se tornar a primeira diretora dos Estados Unidos, a cineasta viveu seus últimos anos na miséria, vítima de seu segundo marido, que roubou todo o seu dinheiro. Seu trabalho ficou desconhecido por muitos anos, tendo sido redescoberto por pesquisadores, como a professora Shelley Stamp, responsável pelo livro Lois Weber in Early Hollywood, lançado em 2015. 

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