O cinema de terror inovador de Gonzalo Calzada

abril 16, 2019



Gonzalo Calzada é um dos grandes expoentes do cinema de terror argentino. Ele desenvolve um trabalho criativo e inovador, aclamado pela crítica. Seu mais recente longa-metragem, Luciferina, trouxe um ar novo para os já fatigados filmes de possessão. A película, lançada em 2018, faz parte da Trilogia de Las Três Vírgenes. Ou seja, vem mais coisa boa por aí. O cineasta acaba de finalizar seu quinto e sexto filme, chamado Nocturna. Hoje, no projeto Final Chica, Gonzalo fala sobre Luciferina, terror argentino e seus próximos passos.

[FG] Gonzalo, quando você começou a se interessar por filmes de terror?
Desde criança gosto de filmes de terror, mas também tudo o que se relaciona com o fantástico em geral.
 
[FG] Quais são as tuas principais influências no terror?
 
É muito amplo. Eu gosto de tudo. Muito do cinema dos anos 80 e dos 70. Polanski, David Lynch, Alan Parker, Herzog, etc. Depois, quando era estudante, me fascinou o expressionismo alemão e o cinema clássico da universal.


[FG] Valdemar, uma de suas primeiras películas, se baseia em uma história de Edgar Allan Poe. Como surgiu a ideia de adaptar a história "The Facts in the Case of M. Valdemar"?
 
Eu gosto do Edgar Allan Por e pensei em adaptar um dos seus contos. Era uma ideia livre, levar "O cado do Senhor Valdemar" para uma versão cinematográfica, colocando o cinema como um universo dentro do cinema. Partiu de curtas que fiz experimentando com celuloide. O primeiro foi "La Puerta". O segundo foi "El Milagro de la Sangre" e o terceiro foi "Valdemar".


[FG] Você se interessa bastante por um terror mais vinculado com religiosidade. As pessoas podem ver isso em Luciferina, em Ressurection. O que te atrai nesse tipo de cinema?
 
Foi uma casualidade. Uso a religião como elemento fantástico dentro do relato. Para mim, religião não é mais do que outra forma de falar sobre mitos e nesse sentido é que mesclo o religioso com o pagão. Assim foi como trabalhei a crença em San La Muerte com catolicismo, por exemplo, em Ressrrection.


[FG] Em Luciferina, é muito interessante esse paralelo que você faz com o despertar sexual da personagem e ele é concomitante com o despertar do lado "diabólico" dela. Como surgiu esse enfoque?

 
O sexo é um elemento muito poderoso. O ato sexual é um momento de muita energia, que pode transformar as pessoas e fazer do mesmo um ato de extrema violência e animalidade ou um ato de amor verdadeiramente transformador. Em síntese, esse foi o conceito.


[FG] Luciferina faz parte de seu projeto de três filmes sobre mulheres possuídas. Como surgiu essa idea?
 
Foi uma casualidade. Começando a escrever a primeira das histórias, surgiram, quase de forma automática, mais duas histórias e considerei que deveria escrever as três. Nas três há uma ideia diferente sobre o conceito das possessões e dos exorcismos.


[FG] O que podemos esperar dos próximos longa-metragens?


Atualmente estou terminando minha quinta e sexta película, entítulada "Nocturna". É uma história de fantasmas. E agora comecei o dsenvolvimento da segunda parte da saga La Trinidad de las Vírgenes, Inmaculada. É meu plano lançar os romances este ano.
 
[FG] Como você vê a repercussão de suas películas na Argentina?
 
Pobre, nos falta mais suporte multimídia. Hoje em dia tudo é enlatado dos Estados Unidos. É muito difícil conseguir espaço ou poder lutar com conteúdos alternativos com o que as multicorporações de entretenimento querem que vejamos.


[FG] O que você mais gosta no cinema argentino de terror?


A busca por coisas diferentes, a falta de preconceito e o entusiasmo de fazer.

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