O desaparecimento de Lisanne Froon e Kris Kremers - Parte 02



 



Segundo a investigação panamenha, as jovens teriam sofrido um acidente na primeira ponte-macaco que tentaram atravessar. Entre o mirador e a localidade onde os restos mortais das jovens foram encontrados existem várias pontes-macaco, as quais são construídas com três cordas. Atravessá-las é realmente perigoso. Muitos indígenas que vivem na região já perderam a vida na travessia. Depois do acidente, as meninas teriam padecido no rio e seus restos mortais foram arrastados, chegando até a localidade de Alto Romero

 


 

O investigador privado José Mosquera trabalhou no caso e não acredita nessa resolução. Em entrevista para a tevê panamenha, o detetive disse que células criminosas atuam na província de Chiriquí, cometendo uma série de crimes. Segundo ele, o governo panamenho perdeu uma oportunidade de capturá-los. Boquete, apesar de ser uma cidade turística e parecer um local pacato, possui uma grande atividade de tráfico de drogas. A trilha El Pianista, encravada na Cordilheira de Talamanca, apesar de ser um ponto turístico muito procurado, é bastante usada para o contrabando de entorpecentes. Ela liga duas províncias, Chiriquí e Bocas del Toro Além disso, na ocasião do sumiço das duas jovens, uma gangue local levava terror para o município. Tratava-se da Los Niños de la Quinta, o “Los ND5”.
 

Outras incongruências no caso também demonstram a existência de uma terceira parte, responsável pelo desaparecimento das duas. A análise dos celulares demonstra que elas fizeram a primeira tentativa de ligação para o número de emergência às 16:39. A região após o mirador, porém, não possui sinal de celular. A segunda tentativa foi realizada às 16:49. Os dois celulares foram desligados e, catorze horas depois, houveram novas tentativas. Agora, além de discarem o número de emergência holandês, as jovens passaram a ligar para o 911, usado no Panamá. Elas alternavam entre os dois celulares. No dia 02, elas fizeram quatro tentativas. A primeira foi feita às 06:58. A última foi feita às 13:56. Segundo o blog Koude Kaas, nesse dia, elas quase conseguiram completar a ligação. Mais tentativas foram feitas no dia 05, quando a bateria do telefone Samsung de Lisanne finalmente acabou. A bateria do celular de Kris, um Iphone, durou até o dia 11. Aqui entra uma questão importante. Segundo a análise feita pela polícia do Panamá e da Holanda, ambos os celulares estavam com apenas 50% de carga no dia 01. Além disso,  entre os dias 07 e 10, houveram 77 tentativas de acessar o celular de Kris. Sabe-se que, para efetuar ligações de emergência não é necessário possuir a senha do celular. A última tentativa foi feita no dia 11, quando o celular finalmente perdeu toda a bateria. É notório que outra pessoa estava tentando acessar o telefone. Foram encontradas três digitais diferentes em ambos os celulares. 
 
 
A câmera fotográfica das jovens também mostrou que elas tiraram algumas fotos na trilha. Elas iam até o número 508. Depois, elas pulavam diretamente para as 90 fotos noturnas, as quais foram tiradas na madrugada do dia 08, entre 01 e 04 da manhã. A primeira delas era a número 510. O que é interessante é que, para o tipo de câmera usado pelas garotas, uma Canon powershot SX 270 HS, caso elas tivessem deletado propositalmente essa fotografia, a foto seguinte seria 509. E, se algo for deletado pela câmera, ainda é possível recuperar essa foto. Mas, caso o registro seja deletado do cartão usando um computador, ele não pode ser recuperado. E foi o que aconteceu. A perícia não conseguiu obter a foto. Ela é o link entre os últimos registros feitos pelas meninas no dia 01 e as fotos sinistras do dia 08.
 
 
 
A foto 508




As fotografias noturnas são bem variadas e quase indecifráveis. Algumas mostravam uma rocha, onde as meninas tentaram sinalizar com pedaços de galhos e sacolas plásticas a localização. Talvez tenham deixado algo para os membros da SINAPROC encontrá-las, já que elas devem ter ouvido o barulho dos helicópteros que faziam as buscas. Havia também uma espécie de espelho feito com uma lata de batatas Pringles, o qual acredita-se que foi colocado na rocha para que, quando fosse tocado pelo sol, refletisse para as aeronaves. Nenhum desses elementos foram encontrados pelas equipes de busca, nem pelos guias. Para eles, não havia sinal nenhum de que as meninas continuavam naquela região. Entre as fotos noturnas, também havia uma foto de Kris, com o seu cabelo em close. O registro divide opiniões. Algumas pessoas acreditam ver sangue na cabeça da jovem. Confesso que não consigo ver isso. 
 





 
 
As 90 fotos noturnas podem ter sido uma tentativa de chamar a atenção de alguém, já que em quase toda a região das trilha El Pianista/Culebra existem fazendas e povos indígenas. Ou simplesmente fugir da escuridão total da floresta. A mata fechada impede que qualquer tipo de luz adentre. As pessoas que tiveram a experiência de estar na região à noite afirmam que a sensação é aterrorizante. Você não consegue enxergar e ainda há o som dos animais. 
 
Além da estranheza das fotos, é interessante concluir que, seguindo a linha de raciocínio do governo panamenho, elas estavam perdidas e completamente sozinhas. Se elas podiam tirar fotos, com certeza teriam a disponibilidade de filmar algo. E elas não deixaram nenhum registro. Normalmente, pessoas em situação de perigo, filmariam alguma coisa. Não haviam mensagens nos celulares também. Por causa disso, muita gente conclui que as noventa fotos tiradas no dia 08 não foram feitas por elas. As 77 tentativas de acessar o celular de Kris também são muito importantes nessa análise.


Os resultados da análise de fragmentos ósseos e da epiderme encontrada também precisam ser olhados com atenção. Os resquícios de ossos foram encontrados a uma distância de 08 quilômetros de onde as meninas desapareceram. Um pé foi encontrado, contendo ainda carne e pele. O cadarço da bota ainda estava amarrado e os resquícios estavam dentro da meia usada pela jovem. Ele foi encontrado em um lugar um tanto sinistro. Estava quase embaixo de uma árvore e distante do rio. Quem o encontrou teve muita sorte. Ou sabia exatamente onde procurar. Na análise, foi possível concluir que não havia nenhum resquício de sangue. Ele estava limpo. Não havia sinal de corte, nem de intervenção de animais. Ele foi encontrado em uma distância de 14 horas de caminhada do local de onde a mochila foi descoberta. A decomposição do pé estava em ritmo normal. 

Reprodução/ Blog Koude Kaas


Ao todo, 33 pedaços de ossos foram encontrados na região do rio. A maioria deles pertencia ao pé de Lisanne. Segundo o blog Koude Kass, essa região fica há alguns quilômetros da ponte-macaco onde elas supostamente teriam caído. As rochas do rio seriam o local onde as meninas tiraram as últimas fotos. Porém, algo chama a atenção. Nenhum dos resquícios ósseos foram encontrados na água. Estavam todos próximos das margens do rio. Um pedaço da pélvis de Kris também foi encontrada. Os médicos forenses que analisaram o material genético perceberam algo estranho. Enquanto os ossos de Lisanne estavam com um nível de deterioração normal, os ossos de Kris estavam brancos. Isso só teria acontecido se eles fossem expostos por um longo período ao sol. Isso poderia levar anos para acontecer. Checando mais profundamente, eles observaram que haviam resquícios de cal em sua superfície.  Os especialistas da Holanda analisaram mostras do solo da região onde os fragmentos foram encontrados e a substância não faz parte da composição. Porém, ela é usada em fazendas de café da região. Criminosos também costumam usar esse tipo de produto para se livrar de corpos. Essa poderia ser a explicação para a situação do pé de Lisanne, que tinha um corte perfeito e que não foi causado por um objeto pontiagudo ou um animal. Se o seu corpo tivesse sido colocado no cal, os membros se desprenderiam com facilidade. 
 
O jornal local La Estrella de Panama noticiou: "De acordo com médicos legistas consultados por este jornal, os restos mortais deveriam ter sido submetidos a uma análise de detecção de fluidos. A Promotoria parece ter pulado essas etapas. Betzaida Pittí, promotora responsável pelo caso, também evitou fazer testes de DNA ao sapato. No entanto, os investigadores relacionaram a bota às jovens, por se tratar de um sapato da marca holandesa 'Wildebeast'. A bota azul devia ter pertencido a Kris Kremers, pelo que a acusação [pensa]. Foi encontrado pelos moradores Ángel Palacio e guia F., de acordo com notícias da imprensa. Embora não haja nenhuma prova científica de que o sapato pertencia a Kremers, ele foi adicionado à evidência do caso. " [Registro do blog Koude Kass]

 

No dia 02 de agosto, as buscas encontraram novos pedaços de ossos. Os fragmentos teriam sido encontrados junto de outras pedaços de esqueleto, os quais pertenciam a uma criança e uma idosa. O fêmur de Lisanne também foi encontrado nessa oportunidade. Todos os ossos da perna esquerda de Lisanne foram descobertos. O mais é estranho de tudo isso: vários ossos estão na mesma região, pertencendo também a outras pessoas e isso não é investigado? Nesse dia, também foi encontrada uma bola de pele que estava nos primeiros estágios de decomposição. Como, em uma região tão quente, que passava por um longo período de chuvas, um pedaço de epiderme pôde ter sido encontrado dessa maneira? Os médicos chegaram a afirmar que, para isso acontecer, o corpo deveria ter sido mantido em algum lugar fresco e escuro. Eu achei bastante curioso isso. O formato da bola de pele também não era algo natural. Aquilo tinha sido manuseado por alguém. Quem entregou a evidência para os laboratórios foi a oficial de justiça Betsaida Pitti. Os médicos estranharam que o material não possuía nenhuma informação de onde havia sido encontrado. 

“Se partirmos do pressuposto de que as meninas morreram na primeira semana de abril, hoje, cinco meses após o evento, as larvas não deveriam estar presentes. São de aspecto esbranquiçado e medem cerca de um centímetro e meio. Eles não chegam a uma dúzia. Eles são os primeiros devoradores do cadáver. Isso indica ao legista que o corpo permanece, ou permaneceu, em um espaço úmido, à sombra, em baixas temperaturas." [Blog Koude Kaas]

 

 Outro ponto importante: o Rio Culebra, onde os restos mortais foram encontradas, não teria força suficiente para carregar um corpo por por muitos quilômetros, nem de fragmentar os ossos daquela maneira. 



“O diretor da Colorado Wilderness Medicine School, Carl Weil, que também é um ex-supervisor do laboratório de cadáveres, pesquisou o caso e afirmou que a maioria das vítimas de afogamento ou que caem em corredeiras geralmente são encontradas inteiras rio abaixo. Alguns nem chegam tão longe e ficam presas entre pedras ou arbustos etc, ao longo da água, às vezes ficando inteiros lá até mais de um ano depois. Também é quase impossível que isso aconteça em menos de dois meses, que é a quantidade de tempo que levou para encontrar os restos mortais de Kris e Lisanne. Ele também comentou sobre os ossos de Kris serem encontrados completamente nus e declarou:"Após 2 meses, o osso não deve estar descoberto, mas ainda coberto com uma quantidade significativa de carne, a menos que haja intervenção humana." [Koude Kass]


A trilha


É preciso dizer que a trilha, encravada na Cordilheira da Talamanca, parece ser uma região bem sinalizada. Depois do crime, uma placa indica o fim da trilha, no mirador. Especialistas advertem que, para seguir a diante, você precisa de um guia. Mas só existe um caminho. Se elas estavam perdidas mesmo depois da divisa continental, seguindo o raciocínio dos investigadores panamenhos, por que ao invés de retornarem pela mesma trilha elas continuaram em frente? Isso não faz sentido nenhum. Outro ponto importante: como não encontraram ninguém em todos esses dias, sendo que a região possui aldeia indígenas e outros moradores? 
 

Como a Sinaproc e os guias que fizeram as buscas disseram, nenhum sinal das meninas foi encontrado na região. Se elas estivessem mesmo na trilha ou nas cercanias, possivelmente teriam sido encontradas. Mas elas, basicamente, tinham evaporado. No dia 10 de abril, porém, um grupo de voluntários encontrou possíveis rastros das duas meninas: uma sacola com embalagens de alimentos, a qual continha alguns fios de cabelo que pareciam ser de Kris, e uma palmilha. Isso estava localizado há uma hora e meia do mirador, dentro da mata. Um jornalista holandês que estava presente no grupo avisou para os membros da Sinaproc sobre o que teriam encontrado. Através de análises, ficou constatado que a sacola plástica estaria na localidade de Alto Quiel, onde o guia F tem um rancho. Essa região fica entre a trilha das cachoeiras escondidas e a El Pianista. É conhecida pelo nome de La Pandura. Esse achado é muito importante, pois mostra que as buscas do Sinaproc foram mantidas em pontos muitos restritos. Dessa maneira, seria impossível encontrar as meninas. Tanto que, caso elas estivessem perdidas de fato dentro da floresta, nunca seriam encontradas. A região onde seus restos mortais foram localizados está a oito quilômetros do mirador. Era evidente que eles ficaram concentrados nas trilhas e deveriam ter procurado mais no interior da floresta, já que a crença era de que elas estavam perdidas A palmilha encontrada e os pacotes de alimento passaram por análise, mas alguma autoridade simplesmente “perdeu” os resultados.   Na região da La Pandura também fica outra trilha, a Sendero Los Quetzales. Dois jovens franceses estavam fazendo a trilha na região no dia 05 de abril. Um morador da região advertiu a dupla e disse ter ouvido gritos de duas meninas vindos da floresta no dia anterior, além de um barulho muito forte. Então, ele viu três homens saindo da trilha. 


Se esses pertences eram mesmo das meninas, fica a pergunta: Teriam elas encontrado alguém no meio caminho, enquanto procuravam pelas cachoeiras perdidas ou elas foram em direção de Alto Quiel obrigadas por alguém? Outra pergunta paira no ar: Como não haviam outros sinais das meninas na trilha durante as buscas, com tanta gente envolvida em encontrá-las, teriam sido elas mantidas em cárcere privado? Vale lembrar também do caso da turista alemã que se perdeu em Santa Fé, em outra província panamenha. Três homens do grupo de busca mantiveram a jovem em cativeiro e ela foi abusada sexualmente. Outra hipótese é que elas teriam encontrado membros da gangue do 5 no caminho. Existem muitas casas abandonadas na região. As duas meninas perdidas, em um estado vulnerável, com um espanhol muito básico, seriam presas fáceis, principalmente depois de vários dias na mata.


O Guia F


O desaparecimento das meninas foi reportado pelo guia F, conhecido pelo seu trabalho na região. Ele teria encontrado as meninas na segunda-feira, oferecendo um passeio na trilha El Pianista. No pacote, elas fariam a caminhada e pernoitariam em um rancho do guia, em Alto Quiel, o qual fica há uma distância de uma hora e meia de caminhada da El Pianista. As meninas teriam declinado e foram sozinhas fazer a trilha na terça-feira. No dia 02, F foi até a escola, pois teria sido contratado pelas meninas para levá-las na trilha El Pianista. Se elas contrataram o guia, por que teriam ido sozinhas no dia anterior? Segundo um dos pais das garotas, elas não tinham marcado nada com F naquele dia, somente no sábado, quando visitariam o vulcão Baru e a fazenda de morangos, localizada em Alto Romero. Eileen, uma alemã que trabalhava na escola de idiomas, ligou para Miriam, a dona da casa onde as meninas estavam hospedadas. Ela notou que as jovens não haviam voltado e disse onde ficava a chave reserva para entrar no quarto da dupla. Eileen e F foram até lá, sozinhos e ficaram por trinta minutos. Por alguma razão, F deixou junto aos pertences das meninas um cartão de visitas. Eles teriam saído dali e ido para a fazenda de morangos de F em Alto Romero, que fica na região de onde os restos mortais e a mochila das garotas foram encontrados. Eles teriam voltado para o quarto das meninas e, às 19:30 da noite, foram até a polícia e o SINAPROC. Eles disseram para os dois que seria preciso esperar 72 horas e que ninguém fosse procurar por elas. F, por outro lado, procurou por elas no dia 3.
Mas esse não é o único envolvimento de F no caso. A mochila das garotas foi entregue por ele para a polícia. Os indígenas que descobriram a bolsa seriam funcionários dele. Além disso, a mulher que encontrou a mochila disse que havia passado pela região no dia anterior e não havia nada lá.A partir desse momento, começam as buscas na região, constatando que as meninas haviam morrido. Em uma de suas entrevistas, o Guia F disse que já havia sido constado a morte das meninas e que todos deveriam seguir a vida.

Guia P.


O guia P. afirmou ter visto as meninas na trilha. Quando questionado novamente, disse não ter certeza que eram elas. Só que existe um detalhe: como ele não saberia? Ele foi o motorista do transfer das meninas de Bocas del Toro até Boquete. Alguns dias depois do sumiço das meninas, P postou em seu Facebook algumas fotos do mirador. O que chama a atenção é que elas possuem as mesmas condições climáticas das fotos das meninas. Outro ponto curioso: P é conhecido por fazer um sinal de joinha em suas fotos. No mirador, as meninas fizeram uma foto dessa maneira. Elas não fizeram tal sinal em nenhuma das outras fotos. Outro ponto que se alega é o fato de que algumas meninas que visitaram a trilha com o guia estavam vestindo uma blusa muito parecida com a de Lisanne, a qual nunca foi encontrada. Além disso, algum tempo depois, o guia publicou uma série de fotos no seu Facebook, mostrando locações onde poderiam ter sido fotografadas as 90 fotos. 
 

 

Eileen


Eileen, a alemã que acompanhou F na fazenda e nas buscas pelas meninas, saiu da cidade de Boquete poucos dias depois do desaparecimento das jovens. Em entrevista que concedeu na Alemanha, ela sempre foi extremamente vaga. Ela teria visto algo? Ela sabe de alguma coisa? Só é bastante estranho que, uma pessoa que tinha acabado de chegar em Boquete peça transferência para a Cidade do Panamá com tanta velocidade, poucos dias depois do sumiço das duas. Ela parecia assustada.

 


Los Niños de la Quinta


Outra teoria levantada é sobre a participação da gangue Los Niños de la Quinta na morte das meninas. O filho do guia F seria um integrante do grupo e teria falado sobre as meninas no dia anterior para um morador de Boquete. Surgiu uma foto na internet, onde Osman, um jovem que fazia parte da gangue, toma banho de rio com duas meninas. A foto foi tirada por um terceiro, mas a qualidade é muito ruim.  Ela teria sido tirada na região da Caldeira, uma região de águas quentes da cidade. As meninas mantinham diários e não houve nenhuma menção sobre terem estado no local. Se formos por essa direção, provavelmente essa foto foi tirada no dia em que as duas desapareceram. E isso explicaria a razão dos sutiãs de ambas estarem dentro da mochila. 

Cinco dias depois do desaparecimento das meninas, Osman morreu afogado em circunstâncias misteriosas. Seu celular foi recolhido pela polícia após sua morte e nunca foi entregue para sua família. O taxista que levou as meninas para a trilha também foi encontrado morto pouco tempo depois. Ele também teria sido vítima de afogamento. O problema é que ele foi encontrado em uma parte rasa, onde seria impossível tal fato acontecer. O outro jovem, Jose Manuel Murgas, que estava na foto de Osman com as meninas, um ano depois do desaparecimento das jovens, foi morto,  vítima de atropelamento. 

 

 
O filho dos donos do restaurante no começo da trilha também pertenceria a gangue. Esse tópico é importante. As meninas podem ter sido realmente mortas por pessoas da região. Elas eram muito bonitas e estavam chamando a atenção das pessoas. No táxi que supostamente pegaram para a trilha El Pianista, haviam mais duas pessoas. Elas desceram antes. Provavelmente essas pessoas ouviram para onde as meninas estariam indo. E se eles tivessem ido atrás das meninas depois? Em entrevistas, moradores estrangeiros destacam que a população sabe mais detalhes sobre o caso e um possível envolvimento de locais, mas tem medo dar informações sobre o caso ou apontar alguém. Eles têm medo das consequências.

 

Minha opinião

Eu tenho quase certeza que as meninas foram assassinadas. A trilha El Pianista possui apenas um caminho. Seguindo essa hipótese de que elas tinham tempo e seguiram, cruzando o mirador e entrado na região de Alto Romero, fica claro que, caso elas estivessem perdidas, elas iriam apenas retornar pelo mesmo caminho. Se elas seguiram mesmo na trilha como foi demonstrado e foram até as pontes-macaco, elas teriam seguido apenas uma trilha. E houve um motivo para terem feito isso: elas estavam impossibilitadas de voltar pelo mesmo caminho. Algo aconteceu para que elas seguissem até lá ou adentrassem mata a dentro.

Várias equipes de busca visitaram a região e não encontraram nenhum sinal delas. Apenas os voluntários encontraram embalagens e uma palmilha em uma área de mata entre a El Pianista e a trilha das cachoeiras perdidas. Um morador da região disse ter ouvido gritos de duas meninas e três homens saindo da trilha Sendero de Quetzales. Ele não teria porque mentir sobre essa informação. Muitas pessoas, inclusive, viram as meninas fora da trilha, pedindo carona para voltar para Boquete. E depois, ainda temos a foto dos dois rapazes com duas meninas que se parecem com as jovens. Uma terceira pessoa tira a foto. Isso bate com o que foi descrito pelo morador de Alto Quiel.

Provavelmente as meninas saíram mesmo da trilha, foram para a Caldeira tomar banho com esses “amigos” e, por alguma razão, elas talvez tenham sido levadas para essa região de Alto Quiel, onde foram assassinadas. Ou, em outra hipótese, alguém as encontrou quando elas tentavam chegar na trilha das cachoeiras perdidas. Os corpos das duas tiveram manipulação humana. Os fragmentos ósseos de Kris estavam esbranquiçados, como se estivessem há dois anos no sol. Com certeza alguém manuseou o corpo dela para deixar nessa situação. Provavelmente usaram cal para decompor os corpos. E como as famílias não desistiram da investigação, magicamente as coisas começam a aparecer: a mochila surgiu em uma área super distante de onde os restos mortais foram encontrados, em uma distância de 14 horas a pé. Apenas pedaços de ossos foram encontrados ao longo do rio. E o que mais me assusta: como foi encontrado uma bola de pele de uma das meninas, cinco meses depois, em um estado inicial de decomposição e isso não despertar um alerta na cabeça da líder da investigação? É óbvio que as meninas foram mantidas em algum lugar. Os fragmentos ósseos restantes, que provavelmente não foram dissolvidos pelo cal, foram retirados e simplesmente jogados aleatoriamente na região, a fim de montar uma cena em que as meninas padeceram mesmo no rio. Um corpo humano não seria destruído daquela forma pelo rio. Elas foram mortas por alguém.  E se elas continuaram a trilha, saindo da El Pianista, passando pela divisa continental, indo pela Trilha Culebra, até pode ter sido um ato feito por elas, mas elas encontraram alguém no caminho, o qual as impediu de retornar. E a foto 509 possivelmente mostra quem eram as pessoas que assassinaram as meninas. Ela não foi deletada da câmera. Ela foi apagada por alguém, usando um computador.

Creio que as autoridades panamenhas tenham tido essa falta de interesse em investigar mais profundamente, justamente por entenderem que foi um assassinato e, para preservar o turismo local e a sua reputação (visto que eles falharam em muitos aspectos), eles apresentaram esse conto ficcional, onde as meninas caíram de uma ponte-macaco e morreram. Eu não acredito que as jovens seriam tão estúpidas a ponto de atravessarem juntas uma corda suspensa.

E como elas teriam tirado as fotos bizarras do dia 08, caso tivessem caído? E se elas realmente se perderam, baseado nas ligações dos celulares, elas encontraram pessoas que, ao invés de ajudá-las, fizeram algo de ruim com elas.  Alguém tentou, por 77 vezes, acessar o celular de Kris. Isso não é uma coincidência. Muita gente, inclusive, sabia que elas estavam lá.  Uma jornalista do Travel Channel fez o percurso caminhando e seria impossível que as meninas tivessem alcançado a ponte-macaco no horário da primeira ligação. São horas e horas de caminhada da última foto de Kris, tirada em um ponto, chamado Quebrada, até esses cabos de travessia do rio.  Como muitas pessoas já afirmaram, isso é impossível. Elas só teriam chegado até lá se tivessem caminhado durante a noite toda. E é impossível prosseguir sem alguma fonte de luz na floresta. É completamente escuro e hostil. O governo do Panamá quer mesmo insistir nessa teoria? A mochila foi totalmente plantada naquela região de Alto Romero. Era época de chuvas e a mochila estava seca. Os celulares e a câmera estavam em ótimo estado. Cada passo que eu dei dentro desse caso, mais certeza tive que alguém criou toda essa “descoberta”, e provavelmente jogou os fragmentos no rio.

Outro ponto. Na entrevista com os indígenas da região de Alto Romero, feita pelo Travel Channel, um dos moradores da região, que conhece muito bem a trilha, disse que a última foto de Kris não foi tirada após a divisa continental. Foi na região de Boquete, mostrando que provavelmente as meninas foram ao mirador e retornaram. Isso pode mostrar que elas teriam tentado mesmo encontrar as cachoeiras perdidas e se perderam, chegando na área de Alto Quiel. Esse trajeto bate com o horário das primeiras ligações de socorro. Trata-se de uma hora e meia de caminhada.

Um dos entrevistados, que participou do estudo dos fragmentos ósseos das meninas foi mais além. Elas poderiam ter sido vítimas de tráfico de órgãos. Por essa razão, as pessoas de Boquete não falam sobre o caso. Essa hipótese faz sentido, principalmente quando pensamos na pele encontrada de uma das meninas, cinco meses depois do desaparecimento, e que estava nos primeiros estágios de decomposição. Mesmo que não tenha sido isso, alguém manteve as meninas vivas por um bom tempo em algum lugar ou os seus cadáveres. Isso está muito claro com as análises.

Esse caso possui muitas perguntas sem resposta. Além disso, é muito triste imaginar que esse tenha sido o fim de duas meninas tão bacanas, que foram para outro país, querendo aprender um outro idioma e trabalharem com as crianças locais. Se elas padeceram por estarem perdidas ou foram vítimas de um crime, isso não importa. Foi um destino horrível. Mas seja qual foi a verdade sobre esse caso, o Panamá parece estar escondendo algo, além de se mostrarem extremamente incompetentes na condução da investigação!








 

Comentários

  1. Meu, que caso triste, realmente triste, concordo com sua conclusão sobre o caso.
    O Panamá esconde algo com certeza, tá na cara.
    É tenso tentar imaginar a agonia dessas garotas na floresta e não ficar chateado.

    Parabéns pela matéria super detalhada sobre o caso.

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