Meus filmes favoritos da semana (24/07 – 29/07)




 


A Hard Day (2014) – Direção: Kim Seong-hun

 



A Hard Day é um thriller eletrizante, cheio de desdobramentos surreais. O filme acompanha o dia infernal do detetive Go Geon-soo (Lee Sun-kyun). Ele sai do velório de sua mãe para atender a um chamado da delegacia onde trabalha e atropela um andarilho. Desesperado, resolve esconder o corpo da vítima no caixão de sua genitora. Desse momento em diante, o caos se instaura na vida do policial.

O roteiro é bem interessante, pois subverte o filme policialesco padrão. Ele não tem medo de flertar com o absurdo, presenteando a audiência com momentos recheados de um senso de humor obscuro refinado.

Hanyeo (1960) e a obsessão do cinema sul-coreano de horror por empregadas domésticas sedutoras




 




Em 1945, termina finalmente o domínio nipônico na península da Coreia. Depois da separação do território entre o norte e sul, a Coreia do Sul começa a investir pesado no entretenimento. A partir dos anos 50, tem início a chamada década de ouro do cinema do país, a qual durou até 1960. E foi justamente no último ano dessa safra cinematográfica que surge um dos filmes mais controversos da filmografia coreana, Hanyeo, dirigido por Kim Ki-young, o qual é considerado o primeiro longa-metragem de horror da era moderna sul-coreana. O filme aborda a história de uma família de classe média da Coreia do Sul, os Kim. Na produção, os papéis sociais do homem e da mulher estão invertidos. Quem cuida do sustento majoritário do lar é a esposa. Isso causou um impacto muito grande na sociedade sul-coreana conservadora. Até os dias atuais, existe essa tradição cultural de que quem deve prover o lar é o marido e a mulher deve se dedicar aos trabalhos domésticos, e não deve ter nenhum tipo de ambição profissional. Inclusive, eu escrevi sobre isso mais detalhadamente em minha crítica sobre o filme Kim Ji-young: Born in 1982

Janghwa Hongryeon jeon: a gênese do horror sul-coreano


 




A Coreia do Sul está muito em evidência nos últimos anos por causa do K-POP e do audiovisual. A Hallyu, a chamada onda coreana, tomou conta do mundo a partir dos anos 90. Tudo começou com a popularização dos k-dramas, as novelas do país, que começaram a se difundir primeiramente pela China e demais países asiáticos. Logo, essas produções passaram a ganhar espaço também no lado ocidental do globo, assim como os filmes sul-coreanos

O cinema de horror da Coreia do Sul, entretanto, só começou a se tornar mais presente no ocidente a partir da década de 2000, concomitantemente com a explosão dos filmes splatter (chamados por alguns críticos de “torture porn”), produções usualmente marginalizadas por causa de seu conteúdo e que começaram a ganhar espaço nos cinemas de shopping. Como as películas asiáticas sempre foram conhecidas por seu conteúdo mais extremo, com as mudanças significativas da censura nos cinemas ocidentais, essas produções passaram a ganhar distribuição nas salas multiplex e no mercado de home vídeo.  

Horror norte-coreano: Pulgasari (1985)


 




O cinema sempre foi uma importante ferramenta de propaganda de guerra. Estados Unidos, União Soviética e Alemanha sempre utilizaram filmes durante seus conflitos, principalmente quando era necessário remodelar o imaginário da população. E não estou falando somente de longa-metragens propagandísticos evidentes como Triunfo da Vontade (1935), dirigido por Leni Riefenstahl, um verdadeiro marco da propaganda de guerra nazista. Películas consideradas mais” inocentes” também são utilizadas para modificar o pensamento popular. Um exemplo disso são os filmes Top Gun (1986) e Águia de Aço (1985). Essas películas de ação até parecem ter um subtexto inofensivo, mas ajudaram na consolidação de um novo inimigo a ser combatido pelos EUA: os árabes. 
 
 

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