[Livro] Columbine (2019) - Dave Cullen


 

 
Com a explosão do true crime como entretenimento, começaram a surgir no mercado literário centenas de publicações que abordam crimes reais. Com o “Massacre de Columbine”, um dos episódios mais violentos da história dos EUA, não foi diferente. O trágico evento tornou-se assunto de vários livros. Alguns deles, obviamente, rumaram em direção do sensacionalismo barato. E aí que aparece em 2009 uma obra que pode ser considerada como um divisor de águas, não apenas por quebrar esse fluxo de informações desencontradas sobre esse caso, mas principalmente por ter sido produzido por um jornalista que dedicou-se durante dez anos a pesquisar o atentado. Estou falando de Columbine, escrito por Dave Cullen. Até 2016, a publicação passou por várias revisões, chegando ao Brasil pelas mãos da DarkSide Books em 2019.
 

O livro apresenta a narrativa cronológica da vida dos assassinos, investigando sua trajetória desde a infância até o dia do ataque. Harris e Klebold se transformaram, ao longo dos anos, em uma espécie de Dr Jekyll e Mr Hyde. Para seus pais, eles eram meninos aparentemente normais. Mas quando estavam sozinhos, assumiam um lado muito sombrio. E conseguiam entrar e sair dessas personas maquiavélicas em segundos.

Como Cullen é ciente de que é pesado demais acompanhar essa mudança arrepiante, ele lhe dá alguns momentos para respirar, interrompendo os capítulos sobre Harris e Dylan com textos sobre as vítimas, como o Treinador Sanders, um dos grandes heróis dessa tragédia. E essas pausas são tão dilacerantes quanto aquilo que está sendo apresentado sobre os dois criminosos. Dave até tenta, mas é impossível abordar qualquer tópico sobre Columbine sem partir o coração do leitor.

Uma coisa que me impressionou bastante é a escrita do autor. Ele consegue trazer para a narrativa todo o peso do evento. Você se sente um coadjuvante da história. Parece que você estava lá, presenciando tudo, sendo uma testemunha ocular. E isso é deveras perturbador e fascinante.

Columbine é um marco do jornalismo literário dos EUA. Cullen é uma espécie de “Truman Capote” da atualidade. E o mais interessante é que, após escrever esse livro, ele passou a se dedicar à cobertura de outros tiroteios ocorridos em escolas dos EUA, como Parkland. Ele publicou em 2019 um escrito sobre o assunto. Infelizmente, o massacre de Columbine foi um episódio muito marcante e foi propagado com voracidade pela mídia dos EUA. Ele causou uma verdadeira epidemia de tiroteios em várias escolas ao redor dos Estados Unidos. E acho que esse é o ponto mais importante do livro escrito por Dave. Ele mostra como a imprensa desempenhou um papel fundamental para a consolidação de Eric e Dylan como “heróis” para os párias de todo o mundo. E essa dinâmica bizarra, onde os dois são colocados como “anjos vingadores”, é muito errônea. Existem tantas camadas nesse crime. É um caso muito mais complexo do que foi vendido pelos jornalistas. Ainda bem que Cullen teve essa preocupação de seguir pesquisando o ataque, e trouxe ao mundo uma narrativa definitiva sobre o massacre, sem meias-verdades. 


Se você se interessa pelo assunto, não deixe de conferir o episódio que eu fiz sobre o assunto no A Última Garota do Filme.

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