The Sadness (2021)



 


Assisti ao longa-metragem taiwanês The Sadness (2021), dirigido pelo cineasta canadense Rob Jabbaz. A produção tem sido considerada como o "filme mais violento de zumbis da história do cinema". A premissa básica do roteiro é a seguinte: um vírus provoca uma epidemia e os contaminados transformam-se em mortos-vivos. Inicialmente, sentem uma profunda tristeza, seguida por uma explosão de violência e hipersexualidade. Os ataques provocados pela horda descontrolada são de fato brutais. Ao contrário de outras produções do subgênero, os zumbis não perdem sua consciência completamente. Estão apenas dominados por um desejo incontrolável de matar e fornicar. 
 
 
 
Tecnicamente, o longa-metragem cumpre bem o seu papel. Tem um ritmo perfeito, boas atuações, um roteiro bem-estruturado e uma maquiagem bem verossímil. É um upgrade no subgênero. O diretor constrói um morto-vivo humanizado e versátil. Gostei bastante desses aspectos do longa. O meu problema com ele reside no subtexto misógino e na necessidade constante de chocar, em detrimento do desenvolvimento da história.

O subtexto da película é uma analogia ao que aconteceu durante a pandemia do COVID-19, tanto que o diretor tece várias críticas aos governos negacionistas. Jabbaz até tenta seguir a tradição de George Romero, que era conhecido por fazer crítica social em suas películas. Porém, com o excesso de gore e sangue derramado na tela, a reflexão sobre o assunto se perde completamente, sobrando apenas a violência excessiva.
 
Um take em particular ficou "assombrando" minha mente por dias. Vou dar um pequeno spoiler. Em dado momento, uma jovem é atacada por um zumbi e tem um de seus olhos perfurado por um guarda-chuva. Ela passa a ser perseguida pelo ser monstruoso e consegue se refugiar em um hospital. Só que o morto-vivo consegue invadir o local e comete uma das cenas mais perversas que eu já vi em um filme de terror: o zumbi literalmente coloca o seu órgão sexual dentro do orifício ocular da jovem e se masturba com ele. É uma cena que não é mostrada de fato e fica mais subentendida. Eu demorei um pouco para compreender o que estava acontecendo, pois entrei em negação. Eu fiquei chocadíssima! Eu já vi todo o tipo de objetificação do corpo feminino no cinema, mas sexualizar um olho foi algo totalmente inesperado. Quando eu achava que já tinha visto todo o tipo de misoginia em um longa-metragem, percebi que sempre é possível naturalizar ainda mais a violência contra mulheres. Eu fiquei por horas pensando: o que passa na cabeça de alguém que escreve uma cena desse tipo? Eu compreendo que a intenção tenha sido de causar repulsa, mas como um roteirista consegue pensar em algo tão perturbador? Vale lembrar que essa não é a única cena “provocativa” da película. O diretor oferta outras cenas muito piores. É uma crescente dentro da narrativa. Ou seja, é uma produção perfeita para espectadores que gostam de filmes extremos.
 









 



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