

Já em Sangkuriang, terceira parceria cinematográfica entre Sisworo e Suzzanna, a narrativa se baseia em um mito tradicional. No longa, uma princesa perde a virgindade com um servo e é condenada à morte. Como o funcionário do reino assume a responsabilidade pelo ocorrido, o rei ordena que a jovem seja expulsa do palácio. Vivendo na floresta, ela cria o seu filho, que passa a caçar para garantir a sobrevivência dos dois. Em uma caçada, o rapaz atira uma flecha acidentalmente contra Tumang, seu pai, que o acompanhava transformado em um cachorro. Ao levar o coração do servo para casa, o menino desencadeia a fúria da mãe, que o agride violentamente ao descobrir a procedência do órgão. O garoto foge e se refugia em uma caverna e retorna para o reino nove anos depois. Ao reencontrar a mãe, apaixona-se por ela, instaurando o elemento incestuoso que marca o filme. Conhecido por sua ousadia, Sisworo constrói uma obra que funciona simultaneamente como fábula moral e como provocação. Além de lidar com o incesto, o longa dialoga fortemente com práticas religiosas e com a mitologia da ilha de Java, afastando-se um pouco do eixo mais recorrente dos filmes de Suzzanna, nos quais suas personagens confrontam diretamente o islamismo. Aqui, Suzzanna interpreta uma mulher que não é monstruosa na aparência, mas em suas atitudes dentro do código moral vigente. Primeiro, perde a virgindade fora do casamento. Depois, envolve-se em uma relação incestuosa com o próprio filho. Forma-se um efeito cascata que sugere que mulheres que se deixam guiar pelo desejo sexual sofrem consequências severas. O filme gerou muita polêmica na Indonésia por causa dos temas abordados e por exibir cenas de nudez do ator Clift Sangra. Sisworo era assim. Ele aceitava submeter-se ao código cinematográfico imposto pelo regime de Suharto, inserindo uma moral religiosa no desfecho. Porém, ao longo da narrativa, tocava o terror e explorava temas extremamente controversos, confiando que a reafirmação final da fé islâmica funcionaria como salvo-conduto diante da censura.




Entre 1971 e 1982, muitos filmes de
Suzzanna seguiam essa estrutura de encerramentos moralizantes, que por vezes destoavam do restante da narrativa. Inclusive, alguns deles lembram um pouco alguns episódios da série infantil
He-Man, onde o final sempre apresentava uma lição educativa. A diferença é que, nos longa-metragens de
Suzzanna, a mensagem era direcionada sobretudo às mulheres indonésias, reafirmando o papel que elas deveriam desempenhar na sociedade.
Ainda em 1983, Suzzanna estrelaria Perkawinan Nyi Blorong e Nyi Ageng Ratu Pemikat. O primeiro longa explora novamente a lenda javanesa da rainha serpente Nyi Blorong. Já Nyi Ageng Ratu Pemikat é mais uma parceria entre Suzzanna e Sisworo Gautama Putra. No filme, Suzzanna interpreta Nyi Ageng, uma jovem que testemunha os maus-tratos sofridos por sua mãe nas mãos de seu pai. Decidida a não repetir esse destino, ela acaba, ainda assim, obrigada a se casar com um homem rico. Logo após o casamento arranjado, o marido é assassinado. Mais uma vez, a personagem rompe com a moralidade estabelecida e com a imposição cultural do matrimônio forçado. Mas o assassinato do cônjuge não traz paz para a vida de Nyi. Ela continua sendo alvo de abusos masculinos e passa a ser assediada pelos homens da fazenda onde vive. Seu ódio se intensifica quando a irmã é abandonada pelo namorado e, grávida, comete suicídio. Trata-se de uma das cenas mais violentas do filme, a qual reforça a vulnerabilidade feminina naquele contexto social.

Em
Telaga Angker (1984), também dirigido por
Sisworo,
Suzzanna volta a interpretar uma personagem que se transforma em
Sundel Bolong.
Anita está grávida e leva uma vida tranquila ao lado do marido,
Robby, interpretado por
George Rudy. A paz é interrompida quando
Robby é assaltado durante um passeio em família e entra em luta corporal com os criminosos para recuperar a sua carteira.
Horas depois, em posse dos documentos de Robby, o grupo decide invadir a casa do casal. Eles abusam sexualmente da irmã mais nova de Robby, Lenny (Nina Anwar), e Anita até tenta defendê-la, mas não consegue. Desesperada, foge de carro e é perseguida até um lago nas proximidades. O veículo cai na água e Anita morre afogada. Como estava grávida, transforma-se em Sundel Bolong para se vingar dos homens que a assassinaram. Para executar sua vingança, Sundel Bolong ora surge como entidade monstruosa, ora assume a aparência de uma mulher belíssima para atrair os homens que destruíram sua família. Movida por um instinto materno, Anita deseja levar consigo o seu filho, que sobreviveu por não estar em casa no dia do crime, mas seu espírito é apaziguado pelo tio da criança, que recita uma oração islâmica. Assim, ela finalmente encontra paz.
Em 1985, Suzzanna estrelou dois filmes permeados pela mitologia de Java, ambos dirigidos por Putra. Calon Arang – The Powerful Queen (Ratu Sakti Calon Arang) retrata a história de Calon Arang, uma poderosa bruxa cujo ódio nasce da rejeição social. Sua filha, Ratna Manggali, não consegue se casar porque todos temem a mãe. Revoltada, Calon Arang utiliza feitiçaria para lançar doenças e espalhar o caos pelo povoado.
Já Awakening of the South Seas Queen (Bangunnya Nyi Roro Kidul) é inspirado na figura mítica de Nyi Roro Kidul, a Rainha do Mar do Sul, entidade espiritual javanesa. Ela é uma personagem do folclore indonésio que emerge do oceano para atrair homens. Ainda em 1985, Suzzanna participa de Samson dan Delilah, versão repleta de gore da história bíblica de Sansão e Dalila, também dirigida por Sisworo. Tecnicamente, a narrativa sobre os dois personagens não é uma história de terror, mas o diretor transformou o longa em um verdadeiro banho de sangue.
Em 1986, Suzzanna e o diretor Putra lançaram mais um longa-metragem sobre o mito da Sundel Bolong. Malam Jumat Kliwon (1986) conta a história de Ayu, uma autora de romances que, sofrendo de bloqueio criativo, decide se isolar no campo para escrever. No trajeto, encontra uma casa gigantesca abandonada e sente que aquele é o lugar ideal para concluir seu livro. O que ela não sabe é que a residência é assombrada pelo fantasma de uma mulher que morreu ao dar à luz de maneira aterrorizante: o bebê veio ao mundo abrindo um buraco nas costas da mãe, que morreu imediatamente. Como foi vítima de magia, ela retorna como Sundel Bolong para se vingar.
Ayu descobre a verdade ao fugir de seu empregado, que tenta abusá-la sexualmente. Ela é salva pela Sundel Bolong. Em outro momento, quase é atropelada por um bandido e, mais uma vez, é protegida pela fantasma. Aos poucos, Ayu descobre que a criatura a protege porque é sua mãe: a escritora é o bebê que nasceu pelas costas da genitora.
Como podemos observar, vários filmes dirigidos por Sisworo apresentam um plot de horror desencadeado por cenas de violência sexual. Isso ocorria por dois motivos principais. Como disse anteriormente, na época, a Indonésia produzia esse tipo de obra — que misturava horror e erotismo — porque havia um mercado internacional para filmes exploitation. Ou seja, produções de baixo orçamento que geravam lucro considerável. Contudo, diferentemente de muitos longas rape-revenge do período, as produções indonésias insinuavam mais do que mostravam. As cenas obedeciam aos rígidos padrões morais do país, que então era ainda mais conservador do que hoje. Com a rigidez ditatorial da Nova Ordem, era praticamente impossível realizar um filme que criticasse diretamente o papel destinado às mulheres na sociedade. Portanto, ao recorrer ao horror e à mitologia local, Sisworo Gautama Putra conseguia tecer uma crítica profunda à masculinidade tóxica e às estruturas que desamparavam as mulheres. Ele evidenciava como, mesmo não sendo responsáveis pelas violências sofridas, as vítimas eram mais estigmatizadas do que os próprios criminosos. Somente após a morte podiam alcançar algum tipo de justiça. Sei que filmes rape-revenge são questionáveis, especialmente obras como A Vingança de Jennifer (I Spit on Your Grave, 1978), mas, no caso de Putra, essa parecia ser a única maneira de driblar a censura do regime de Suharto e abordar temas sensíveis. Ele fazia isso de modo ambíguo e perspicaz, mostrando que, apesar do conservadorismo dominante, é a própria rigidez da moralidade que acaba por construir os monstros que aparecem na tela. Seus filmes são uma espécie de cavalo de Tróia. O exterior reforçava o que era disseminado pela propaganda da ditadura, mas o interior era sempre surpreendente. A filmografia de Suzzanna em parceria com Sisworo usava o horror para refletir sobre as ansiedades sociais da época, especialmente o temor em relação às mulheres sexualmente livres que desafiavam casamentos forçados e buscavam o protagonismo de seus destinos. Essa postura confrontava os preceitos islâmicos e tradicionais que regulavam o cotidiano do país, servindo de sustentáculo ideológico para o controle social da ditadura de Suharto. Por essa razão, as mulheres monstruosas ou selvagens retratadas no cinema indonésio eram invariavelmente neutralizadas por figuras masculinas. A ordem social, subvertida por uma entidade feminina poderosa que extraía sua força de fontes pagãs, era restaurada pelo triunfo de um herói muçulmano. Vale notar que essa cinematografia fantasmagórica também é um sintoma dos intensos fluxos migratórios iniciados na década de 1970 na Indonésia. Com a migração em massa do campo para a capital, surgiu o temor de que esses indivíduos, oriundos de regiões conservadoras, se desviassem dos preceitos religiosos ao confrontarem a modernidade urbana. Assim, o cinema consolidou-se como uma ferramenta vital para a manutenção dos valores tradicionais e do imaginário coletivo.
Seguindo a filmografia de Suzzanna, ainda em 1985 a atriz lançou The Hungry Snake Woman (Petualangan Cinta Nyi Blorong), novamente sob direção de Sisworo Gautama Putra. Suzzanna interpreta, pela terceira vez, a personagem Nyi Blorong, uma rainha serpente venerada por homens que buscam riqueza. É importante destacar que, assim como os Estados Unidos possuíam franquias com elementos narrativos repetitivos, essa lógica também foi reproduzida na Indonésia. A trilogia dedicada à rainha Nyi Blorong apresenta enredos semelhantes, e o desfecho reforça sempre a mesma mensagem moral: os homens não devem buscar riqueza por meio da adoração a uma entidade espiritual, mas sim através do trabalho árduo. Outro ponto que remete aos EUA na filmografia de Sisworo é a maneira como ele se apropria deslavadamente de elementos do cinema de horror estadunidense. Em The Hungry Snake Woman, há diversos planos que parecem dialogar diretamente com franquias como The Texas Chain Saw Massacre e Evil Dead. E esse exemplo não é um caso isolado!



Suzzanna não lançou nenhum filme em 1987. Ela retornaria para as telonas em Santet (1988), filme também dirigido por Putra, Suzzanna volta a adentrar no universo da feitiçaria. Katemi, sua personagem, vive em um vilarejo e é casada com um líder religioso muçulmano. Bisman, dono de um bordel, é obcecado por ela. Após ser rejeitado diversas vezes, decide se livrar do marido de Katemi. Bisman envenena a própria esposa, que está muito doente, provocando uma morte horrenda, a qual é testemunhada por um grupo de pessoas que frequenta a sua boate. Aproveitando-se da comoção, o criminoso incita a histeria coletiva entre os presentes. Junto de um grupo de homens, Bisman sequestra o marido de Katemi e o executa em uma fogueira. Diante de tamanha injustiça, a personagem de Suzzanna é recrutada por uma entidade metade mulher, metade crocodilo, que lhe ensina feitiçaria para punir os responsáveis pela destruição de sua família. Ao final do primeiro filme, Katemi encontra redenção ao lado de um homem muçulmano considerado virtuoso. No ano seguinte, Suzzanna se reuniria novamente com Putra em Santet II (1985). No longa, Katemi volta a praticar o Islamismo, mas acaba possuída por uma entidade que a conduz à magia. Indomável, transforma-se em um tigre e espalha terror pela comunidade. Anos depois, outro filme indonésio também exploraria a transformação de uma jovem em tigre. Estou falando de Tiger Stripes (2023). Em ambos os casos, vemos mulheres destemidas que se tornam indomáveis ao desafiar os dogmas de suas comunidades muçulmanas. São corpos que escapam ao controle religioso e precisam ser punidas.
Ainda em 1988, Suzzanna atuou em mais dois filmes, White Crocodile Queen (Ratu Buaya Putih) e Malam Satu Suro. O enredo de White Crocodile Queen se assemelha ao da Nyi Blorong, embora não trate da mesma entidade. No longa, um domador de animais decide exterminar uma população de crocodilos em um lago, mas acaba sendo amaldiçoado pela rainha dos crocodilos. Já em Malam Satu Suro, Suzzanna volta a interpretar uma Sundel Bolong. O longa, novamente dirigido por Sisworo, inicia-se de forma sobrenatural: um dukun (xamã indonésio) ressuscita uma mulher que se transformou em Sundel Bolong após a morte. Ele coloca um prego na cabeça da jovem, que passa a se chamar Suketi, e ela recebe uma segunda chance para viver com sua antiga aparência, tornando-se filha adotiva do religioso.








Certo dia, ao passear pela floresta, Suketi conhece um caçador de coelhos, Bardo Ardiyanto (Fendy Pradana). Os dois se apaixonam e, quando Bardo pede sua mão em casamento, o pai adotivo impõe uma condição de que a cerimônia deve ocorrer na noite de Satu Suro, data de forte significado místico no calendário javanês, quando o mundo espiritual se aproxima do humano. Segundo a tradição, casamentos devem ser evitados nesse dia. Ainda assim, a união acontece, e o casal passa a viver em Jacarta. Como Bardo se casou com uma Sundel Bolong, torna-se extremamente próspero e enriquece rapidamente. Em determinado momento, Joni (Johnny Matakena), um empresário de reputação duvidosa, propõe um acordo comercial a Bardo, mas é rejeitado devido ao seu histórico de negócios inescrupulosos. Decidido a se vingar, Joni procura Mak Talo (Nurnaningsih), outra dukun, que descobre a verdadeira natureza de Suketi. Joni e Mak Talo invadem a casa de Bardo e removem o prego da cabeça da jovem, fazendo com que ela retorne à sua forma sobrenatural. Mais tarde, Bardo descobre o passado de Suketi. Sua esposa era uma jovem que se suicidou após ser estuprada e engravidar. Como morreu grávida, transformou-se em Sundel Bolong. Depois de cumprir sua vingança, foi ressuscitada por Ki Rengga, que a adotou como filha. Suketi fica devastada ao voltar à forma de Sundel Bolong, mas sua transformação acaba sendo decisiva quando seu filho, Preti, é sequestrado pelos capangas de Joni. Eles exigem resgate, porém o menino é morto acidentalmente por um dos criminosos. Diante da tragédia, Suketi não tem outra escolha senão se vingar dos responsáveis. Mais uma vez, seu espírito só encontra descanso após a intervenção e a oração de um religioso muçulmano. Apesar da seriedade do plot do longa, esse filme traz uma das cenas mais impagáveis da filmografia de Suzzanna. Em um momento que lembra muito a franquia Chucky, Suketi controla um urso de pelúcia que assassina um dos sequestradores.
No ano seguinte, Suzzanna lançou apenas um filme, Santet 2. Em 1990, a dupla Suzzanna e Sisworo Gautama Putra ainda realizaria mais duas parcerias cinematográficas. Death Spreading Heirloom (Pusaka Penyebar Maut) dialoga amplamente com a mitologia da Indonésia. Já Incarnation of the Snake Goddess (Titisan Dewi Ular) retoma temas ligados ao universo da rainha serpente.
A penúltima colaboração entre
Sisworo e
Suzzanna ocorre em 1991 e foi bastante inusitada. É um
rip-off da franquia
A Hora do Pesadelo (
A Nightmare On Elm Street). Em
Pact With Forces of Darkness (
Perjanjian di Malam Keramat),
Kartika (
Suzzanna) é assassinada com a família por criminosos ligados ao marido. Possuída por um espírito assassino, ela passa a usar uma luva com navalhas para executar sua vingança, assim como o assassino da Rua Elm. Só que, ao contrário de
Freddy Krueger, a personagem é mais oportunista e consegue atacar suas vítimas mesmo quando estão acordadas. O filme reproduz cenas icônicas de
A Hora do Pesadelo 4 – O Mestre dos Sonhos (
A Nightmare On Elm Street – The Dream Master, 1988) e
A Hora do Pesadelo 5 – O Maior Horror de Freddy (
A Nightmare On Elm Street 5 – The Dream Child, 1989), como a sequência da praia, a “pizza” de almôndegas humanas e a transformação de Debbie em barata. Não foi a primeira vez que o cinema indonésio dialogou diretamente com a franquia criada por
Wes Craven. Em
Satan's Bed (Ranjang Setan, 1986), o espírito de um casal holandês assassinado retorna para se vingar no mundo dos sonhos e um deles porta uma garra idêntica à de Freddy.
Ainda em 1991, Suzzanna e Sisworo lançaram seu último filme juntos. Em Queen of the South Sea Spell (Ajian Ratu Laut Kidul). Suzzanna interpreta uma feiticeira que é derrotada e banida para a floresta. Ela se alia a um homem ligado ao Mar do Sul, que lhe oferece meios para se vingar de seus inimigos. O longa retoma temas recorrentes na filmografia da atriz, como a mitologia das ilhas da Indonésia e a prática do santet (magia).
Com a morte de Sisworo Gautama Putra em 1993, Suzzanna decide se afastar definitivamente das telas. Nesse período, a atriz já enfrentava complicações decorrentes da diabetes. Voltaria a atuar apenas em 2007, em uma participação especial em Ghost Ambulance (Hantu Ambulance), filme lançado em 2008, ano de sua morte.
O nascimento de uma lenda
Suzzanna Martha Frederika van Osch foi uma atriz transgressora que, dentro das limitações impostas pela ditadura de Suharto, ajudou a narrar histórias que denunciavam a violência sofrida por mulheres indonésias. Além disso, consolidou no cinema personagens do horror tipicamente indonésios, como a Sundel Bolong e a rainha serpente Nyi Blorong. Foi tão icônica que até interpretou uma espécie de versão feminina de Freddy Krueger. Seu legado nas telonas também a transformou em uma personagem que faz parte do folclore da Indonésia. Até hoje circulam crenças de que a atriz mantinha uma aparência jovial até o fim da vida por ser, ela própria, uma bruxa, assim como suas personagens.
Em 2018, o mito Suzzanna ganhou um novo capítulo com Suzzanna: Buried Alive, dirigido por Rocky Soraya e Anggy Umbara. O filme conta a história de uma mulher que enfrenta dificuldades para engravidar. Quando finalmente consegue, é assassinada durante uma invasão domiciliar e retorna como Sundel Bolong. A trama mistura elementos de diversos longas clássicos estrelados por Suzzanna. A protagonista é interpretada por Luna Maya, transformada fisicamente em Suzzanna por meio de maquiagem e próteses.
Em 2023, Luna voltou ao papel em Suzzanna: Malam Jumat Kliwon, produção que retoma vários elementos da película Malam Jumat Kliwon (1986). Na história, Suzzanna se apaixona por um jovem da vila, mas, devido às dívidas do pai, é obrigada a casar-se com um homem rico da região, tornando-se sua segunda esposa. Ela engravida e morre no parto, vítima de feitiçaria arquitetada pela primeira esposa de seu marido. O bebê nasce abrindo um orifício nas costas da mãe, assim como no longa Malam Jumat Kliwon. O próximo longa a homenagear o legado da atriz é Suzzanna: Dosa Di Atas Dosa, previsto para estrear nos cinemas indonésios em 18 de março de 2026. É inspirado na duologia Santet. Pensando nessas produções recentes, é muito significativo que Suzzanna esteja sendo interpretada justamente por Luna Maya nesses projetos, visto que a atriz se consolidou no gênero e pode ser considerada como a princesa do horror indonésio. É importante frisar, entretanto, que essas produções não são remakes propriamente ditos, mas releituras que combinam elementos e enredos de diferentes filmes estrelados por Suzzanna. O único filme que recebeu um remake foi The Queen of Black Magic, o qual foi lançado em 2019. Em 2024, a plataforma Shudder também prestou homenagem à atriz através do documentário Suzzanna: The Queen of Black Magic, dedicado a analisar seu legado cultural.
Mesmo tantos anos após sua morte, Suzzanna permanece como um dos maiores nomes da cultura pop da Indonésia e uma das figuras mais marcantes do horror asiático. Torço para que, em algum momento, todos os seus filmes sejam restaurados e amplamente distribuídos, para que seu trabalho receba o reconhecimento que merece entre os fãs do gênero.