Terror guatemalteco: Entrevista com Rodrigo Estrada Alday, diretor do filme Exorcismo Documentado

maio 25, 2019






Em 2012, foi lançado na Guatemala o longa-metragem Exorcismo Documentado. O filme mistura duas histórias de possessão: a história de um exorcismo que aconteceu na Guatemala, registrado pela arquidiocese local e o famoso caso da alemã Anneliese Michel, que também inspirou outros longas de terror, como O Exorcismo de Emily Rose. No longa, acompanhamos a história da jovem Ana Nicole Menéndez. Ela tem 16 anos e começa a ficar muito doente. Logo, os médicos concluem que ela tem uma depressão severa, mas a sua situação começa a piorar abruptamente, enquanto coisas sinistras começam a acontecer na casa onde ela vive. Um psiquiatra resolve então documentar em vídeo as coisas que estão acontecendo com sua paciente. Depois de concluírem que aquilo não parece ser algo “normal”, a igreja se envolve no caso para ajudar Ana Nicole. 
A película é muito interessante por inúmeras razões e foi gravada, inclusive, em uma casa considerada a "residência mais assombrada da Guatemala". O imóvel está localizado na Zona 10 da capital do país. É um imóvel abandonado. Existem muitos relatos de pessoas que teriam presenciado atividades paranormais no local. Durante as filmagens não foi diferente. A equipe presenciou algumas coisas estranhas durante as gravações e alguns profissionais abandonaram a produção. Realmente o longa é cheio de histórias interessantes. E hoje, no projeto Final Chica, para revelar mais detalhes sobre o filme, eu entrevisto o diretor Rodrigo Estrada Alday. Ele conta mais detalhes sobre como foi filmar Exorcismo Documentado.

[FG] Como você começou a se interessar por filmes de terror?
Ao ser impactado pelas imagens do cinema de terror norte-americano desde muito jovem.
[FG] Quais são seus diretores favoritos?
George Lucas e Ridley Scott (Alien). Me considero mais fã do gênero Fantástico Imaginativo.
[FG] Exorcismo Documentado é seu primeiro longa-metragem como diretor. E você já começou dirigindo uma película de tema controverso. Como foi a experiência?
Foi um processo difícil, estressante e emocionante. Parte da equipe de produção viveu um verdeiro terror e alguns abandonaram as filmagens. Tivemos que chamar um sacerdote para benzer o set. Por momentos, se sentia que seria impossível, mas sempre surgia algo que nos ajudava a seguir. No final foi gratificante.
[FG] Exorcismo Documentado se baseia em fatos reais, registrados pela Arquidiocese da Guatemala. Como essa história chegou até você?
Através de dois sacerdotes exorcistas católicos com experiência nesses casos, nos quais me baseei para criar o roteiro. Um deles, inclusive, escreveu um livro sobre os casos em que interveio.
[FG] Como foi o trabalho de investigação sobre o caso? Foi fácil conseguir informações com a igreja Católica sobre o assunto?
A igreja é muito hermética nestes tipos de assuntos e é difícil conseguir informações verídicas e documentadas. Foi uma investigação meticulosa de vários meses até chegar aos sacerdotes que nos deram a informação detalhada, como a forma que se comporta uma pessoa possuída e como diferenciá-la de alguém enfermo físico ou mentalmente, etc.
[FG] As películas de exorcismo são comuns na história do cinema de terror. O que você crê que Exorcismo Docmentado agrega ao subgênero?
Honestamente, não penso em acrescentar nada, mas tento fazer com que os espectadores sintam que isso pode acontecer com eles apenas assistindo ao filme e que talvez imprima uma sensação ou experiência diferente.
[FG] Normalmente os longa-metragens de exorcismo mexem muito com o imaginário das pessoas. E Exorcismo Documentado foi filmado em um país super católico, a Guatemala. Como foi a recepção do filme no país?
O filme teve uma recepção massiva e acho que a cultura religiosa latino-americana tem muito a ver com isso, como você bem diz.
[FG] Como você avalia o cinema de terror feito na Guatemala?
Creio que está em surgimento. Não só na Guatemala, mas em toda a América Latina.




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