[Especial Robert Englund] Dance Macabre (1992) — Direção: Greydon Clark

 

Em 1989, Robert Englund participou de uma versão de O Fantasma da Ópera. Eu escrevi sobre o filme aqui. Nessa produção, o ator interpreta o Erik, um compositor amaldiçoado pelo diabo. Ele vive uma paixão platônica por Justine, uma cantora da ópera de Londres. A maquiagem do personagem lembra muito a do vilão Freddy Krueger. Assim, a produção ganhou o apelido carinhoso de Freddy da Ópera.  A película quis surfar na onda da franquia A Hora do Pesadelo, mas flopou lindamente nas bilheterias. Como os produtores achavam que o longa seria um sucesso, por causa da presença de Englund, uma continuação já estava nos planos. Porém, com o fracasso do longa, o roteiro do segundo filme foi modificado, surgindo então Dance Macabre. A película recebeu o nome no Brasil de Dublê da Morte, e conta a história de um coreógrafo estadunidense Anthony Wager (Englund), que leva suas dançarinas para a Rússia, pois deseja que uma delas seja escolhida pelo famoso balé de São Petersburgo. Ele é auxiliado por Madame Godenko.  

Anthony fica fascinado por uma de suas dançarinas, a jovem estadunidense Jessica Anderson (Michelle Zeitlin), que lembra muito Svletana, que morreu nos braços do coreógrafo após um acidente de moto.   Após vários testes para escolher a dançarina que fará o teste para a companhia de São Petersburgo, algumas coisas bizarras começam a acontecer. As jovens que são melhores do que Jessica são assassinadas brutalmente.

Dance Macabre, apesar de ser rotulado como um slasher, possui mesmo uma estrutura de giallo. Temos vários assassinatos em curso, desaparecimentos, um detetive interessado em desvendar os casos e uma jovem que é a obsessão do assassino.

Não tem como não perceber que a película tem toda uma narrativa muito inspirada em Suspiria, longa do Dario Argento. Em muitas cenas, há uma tentativa de reproduzir a estética do longa italiano. E a protagonista do filme tem o mesmo nome da personagem da produção europeia. Nem disfarçaram muito. Inclusive, preciso pontuar isso. Tem uma cena em que Jennifer dança sozinha na sala de espelhos e, enquanto ela faz isso, sua colega de quarto é assassinada. Acho que o povo que fez o Suspiria de 2018 deve ter gostado desses takes, viu?

No mais, o roteiro não é muito plausível. As pessoas começam a desaparecer sem deixar vestígios e a protagonista medita sobre o assunto por alguns segundos, mas isso não gera nenhum tipo de preocupação ou desconforto. Se você estivesse em um lugar, onde duas pessoas desaparecem, uma jovem cai da janela e a outra é empurrada nos trilhos do metrô, você não abandonaria o barco? É óbvio que sim. Por isso que eu afirmo veemente: a personagem da  Michelle Zeitlin jamais seria uma final girl. Mesmo que algo acontecesse embaixo dos olhos dela, ela não perceberia.

Por outro lado, eu gostei muito do Robert Englund em cena. Nos anos 80, quase cem por cento do seu trabalho era a franquia A Hora do Pesadelo.  Por essa razão, quando vi O Fantasma da Ópera, senti que ele emulava  o Freddy Krueger em algumas cenas. E a maquiagem semelhante deixava isso ainda mais evidente. Em Dance Macabre, por outro lado, ele entrega um personagem bem diferenciado. Um homem deveras elegante e perverso. O Krueger parece ter sido exorcizado. A atuação do Englund, sem dúvidas, é o único motivo para você encarar esse longa. 

















 

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