Hanyeo (1960) e a obsessão do cinema sul-coreano de horror por empregadas domésticas sedutoras




 




Em 1945, termina finalmente o domínio nipônico na península da Coreia. Depois da separação do território entre o norte e sul, a Coreia do Sul começa a investir pesado no entretenimento. A partir dos anos 50, tem início a chamada década de ouro do cinema do país, a qual durou até 1960. E foi justamente no último ano dessa safra cinematográfica que surge um dos filmes mais controversos da filmografia coreana, Hanyeo, dirigido por Kim Ki-young, o qual é considerado o primeiro longa-metragem de horror da era moderna sul-coreana. O filme aborda a história de uma família de classe média da Coreia do Sul, os Kim. Na produção, os papéis sociais do homem e da mulher estão invertidos. Quem cuida do sustento majoritário do lar é a esposa. Isso causou um impacto muito grande na sociedade sul-coreana conservadora. 

Janghwa Hongryeon Jeon: a gênese do horror sul-coreano


 






A Coreia do Sul está muito em evidência nos últimos anos por causa do K-POP e do audiovisual. A Hallyu, a chamada onda coreana, tomou conta do mundo a partir dos anos 90. Tudo começou com a popularização dos k-dramas, as novelas do país, que começaram a se difundir primeiramente pela China e demais países asiáticos. Logo, essas produções passaram a ganhar espaço também no lado ocidental do globo, assim como os filmes sul-coreanos

O cinema de horror da Coreia do Sul, entretanto, só começou a se tornar mais presente no ocidente a partir da década de 2000, concomitantemente com a explosão dos filmes splatter (chamados por alguns críticos de “torture porn”), produções usualmente marginalizadas por causa de seu conteúdo e que começaram a ganhar espaço nos cinemas de shopping. Como as películas asiáticas sempre foram conhecidas por seu conteúdo mais extremo, com as mudanças significativas da censura nos cinemas ocidentais, essas produções passaram a ganhar distribuição nas salas multiplex e no mercado de home vídeo.  

Horror norte-coreano: Pulgasari (1985)


 




O cinema sempre foi uma importante ferramenta de propaganda de guerra. Estados Unidos, União Soviética e Alemanha sempre utilizaram filmes durante seus conflitos, principalmente quando era necessário remodelar o imaginário da população. E não estou falando somente de longa-metragens propagandísticos evidentes como Triunfo da Vontade (1935), dirigido por Leni Riefenstahl, um verdadeiro marco da propaganda de guerra nazista. Películas consideradas mais” inocentes” também são utilizadas para modificar o pensamento popular. Um exemplo disso são os filmes Top Gun (1986) e Águia de Aço (1985). Essas películas de ação até parecem ter um subtexto inofensivo, mas ajudaram na consolidação de um novo inimigo a ser combatido pelos EUA: os árabes. 
 
 

The Sadness (2021)



 


Assisti ao longa-metragem taiwanês The Sadness (2021), dirigido pelo cineasta canadense Rob Jabbaz. A produção tem sido considerada como o "filme mais violento de zumbis da história do cinema". A premissa básica do roteiro é a seguinte: um vírus provoca uma epidemia e os contaminados transformam-se em mortos-vivos. Inicialmente, sentem uma profunda tristeza, seguida por uma explosão de violência e hipersexualidade. Os ataques provocados pela horda descontrolada são de fato brutais. Ao contrário de outras produções do subgênero, os zumbis não perdem sua consciência completamente. Estão apenas dominados por um desejo incontrolável de matar e fornicar. 
 

Formulário p/ pagina de contato (Não remover)