Death Bell (2008) – Direção: Chang

 

Death Bell (2008) é o filme de estreia do diretor de videoclipes sul-coreano Chang. O longa se apropria de algumas questões bem pontuais levantadas pela popular franquia sul-coreana Whispering Corridors, mixando essas influências com elementos de películas que estavam fazendo bastante sucesso na década de 2000, como Jogos Mortais (2004). A trama fala sobre uma escola da Coreia do Sul, onde os alunos são ranqueados pelo desempenho escolar, gerando uma onda de competição absurda. Uma das alunas desaparece durante uma aula, enquanto uma professora exibe um DVD. A transmissão é interrompida, mostrando a jovem em uma espécie de aquário gigante lacrado, o qual está sendo preenchido com água. Uma voz misteriosa surge nos alto-falantes do colégio, alertando que os alunos precisam participar de um grande teste. Se eles errarem uma resposta, um dos colegiais será assassinado. O pavor toma conta da instituição escolar, enquanto os alunos melhor qualificados no ranking escolar vão desaparecendo. 

Thousand Years Fox (1969) – Dir: Shin Sang-ok

 






Dirigido por Shin Sang-ok, um dos diretores mais famosos da Coreia do Sul, Thousand Years Fox (1969) explora a tradicional mitologia do gumiho (a raposa de nove caudas) de forma extremamente original. O diretor propõe uma mistura muito eficiente de drama histórico (wangjo sageuk) com elementos familiares do cinema de horror para contar uma história brutal. Kim Won-rang (Shin Young-kyun) é um general do reino. No passado, teve um relacionamento amoroso com a rainha Jin-Seong (Kim Hye-jeong). Depois de voltar de um longo período de batalha, tudo que ele mais almeja é voltar para casa para encontrar a esposa Yeo-hwa (Kim Ji-su), e seu filho que acabara de nascer. Porém, a majestade faz de tudo para seduzi-lo. Enquanto está preso dentro do castelo, a monarca cria uma trama diabólica para se livrar da esposa de Won-rang. Ela é mandada embora do reino e recebe uma punição muito severa. Ela terá que ficar a uma distância de 1.200 quilômetros do castelo. Ao sair das redondezas do palácio, Yeo-hwa é atacada por criminosos. Seu bebê é assassinado e ela se atira em um lago tentando fugir. Seguida pelos malfeitores, algo sobrenatural acontece. Uma espécie de tromba d’água aparece do nada, espantando os homens. Dada como morta, Yeo-hwa é encontrada com vida dentro da lagoa. Como muitas mulheres foram mortas na região, os populares começam a estipular que a jovem fora possuída por um espírito de uma gumiho que habitava o local e que fora morta por membros do reino. E de fato isso acontece. Recuperada, Yeo-hwa se vinga dos assassinos de seu filho com a ajuda da raposa de nove caudas, mas a entidade quer algo em troca: ela precisa de um corpo para conseguir promover sua vingança contra a monarca. 

Glossário de seres do audiovisual sul-coreano: Gumiho — A raposa de nove caudas


 

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A figura da raposa de nove caudas está presente em vários países asiáticos. Na Coreia do Sul, ela é conhecida como gumiho. Segundo o folclore coreano, a raposa é uma personagem mística e maligna. Elas vivem por centenas de anos e conseguem se transformar em várias figuras diferentes, tendo preferência pela aparência feminina. Sua aparência é marcante, visto que possuem nove caudas.

As nuances do horror da Coreia do Sul: 1960–2022


 

Hoje trago um breve panorama sobre a produção audiovisual de horror na Coreia do Sul. Abordarei o desenvolvimento do gênero a partir da década de 1960, passando por temas abordados, longas importantes e diretores fundamentais para o desenvolvimento do terror no país.

 

Segundo ciclo (1960 – 1970)

 

The Housemaid (1960)

 

A partir da década de 50, após o fim da invasão japonesa na Coreia do Sul e a interrupção da Guerra da Coreia, tem início a chamada década de ouro do cinema sul-coreano. Nesse período, alguns diretores começam a inserir elementos sobrenaturais em suas narrativas, mas somente a partir de 1960 começam a ser produzidos filmes de horror efetivamente. Nesse momento, as produções são divididas entre várias películas de terror doméstico, e longas sobre lendas e personagens folclóricos coreanos como o gumiho (a raposa de nove caudas) e as wonhon (espíritos vingativos femininos). A premissa desses filmes sempre envolvia a manutenção da moralidade e do conservadorismo. As histórias quase sempre abordavam uma ameaça constante contra os padrões morais e sociais do país, personificados em mulheres, homens adúlteros, fantasmas e criaturas mágicas. 

 

   Thousand Years Old Fox (1969)

 

A maioria das produções cinematográficas tinham o lar como a principal locação. Porém, segundo os pesquisadores Alison Peirse e James Byrne [1], a inserção do gumiho nas narrativas de terror permitiu uma ampliação do leque temático das películas, retirando o horror sul-coreano de espaços claustrofóbicos domésticos e urbanos. A região rural do país passa a ser um cenário comum nos filmes. Esse tipo de ambientação também é explorada pelas produções com monstros gigantes que começaram a se popularizar pela Ásia após a concepção de Godzilla (1954). São os chamados Kaiju Eiga, longa-metragens e séries nipônicas carregados de efeitos especiais. A Coreia do Sul não ficou para trás e, em 1962, uma das lendas sul-coreanas mais famosas foi levada para as telonas. Trata-se de Bulgasari, película dirigida por Kim Myeong-je. Esse filme, que aborda a história de um monstro gigantesco devorador de metal, serviu de inspiração para o único longa de gênero fantástico criado pela Coreia do Norte, Pulgasari (1985). Bulgasari, porém, não foi um caso isolado. Outras produções começaram a explorar o tema na filmografia sul-coreana, como Yongary (1967), The Host (2006), Sector 7 (2011), Monstrum (2018), entre outros.
 

A guerra entre as Coreias também é um tema constante no cinema de horror sul-coreano desde 1950. Como o conflito nunca terminou de fato, paira no ar uma angústia provocada pela imprevisibilidade dos governantes da Coreia do Norte. E como longa-metragens de terror costumam funcionar como um mecanismo de catarse e escapismo, vários títulos começaram a ser produzidos explorando essa temática. Muitos deles possuem, inclusive, uma crítica velada ao regime comunista do país vizinho.

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