[Especial Robert Englund] Tá todo mundo mal na Rua Elm: Os Horrores da vida adulta e o fim do American Dream





 Uma coisa que sempre me incomodou nos filmes de terror dos anos oitenta: o fato de que a maioria dos adultos das películas são sempre pessoas extremamente negligentes. Sério! Nós adoramos culpar os monstros dos filmes pelo destino trágico dos jovens — ou até mesmo as decisões equivocadas dos próprios adolescentes. Mas uma análise, mesmo que breve, de qualquer personagem que tenha adentrado o mundo adulto nos filmes slasher é implacável. Estamos diante de pais omissos ou muito opressores, policiais despreparados, os quais se mostram incapazes de fornecer qualquer tipo de proteção ou auxílio emocional para aqueles que estão sendo caçados implacavelmente dentro da tela.


E na franquia A Hora do Pesadelo isso parece ser ainda mais gritante. Eu assisti os longa-metragens centenas de vezes. Freddy Krueger é, definitivamente, o meu vilão favorito. O personagem, criado por Wes Craven, é um serial killer que, apesar de dividir espaço com tantos outros assassinos criados na década de oitenta, possui uma personalidade diferenciada, e uma forma bem peculiar de eliminar suas vítimas. Ele habita o mundo dos sonhos. Quem morre no pesadelo acaba perdendo a vida no mundo real. É uma premissa muito interessante.

[Especial Robert Englund]: Galáxia do Terror (Galaxy of Terror)



 



Primeiramente, eu gostaria de dizer que não sou uma grande entusiasta de filmes de ficção científica que acontecem no espaço. Sempre achei uma grande bobagem aqueles ambientes cheios de botões, onde os personagens começam a apertá-los, indiscriminadamente, principalmente em situações de perigo. Já tentei assistir a série Star Trek e não consegui me apaixonar pelo enredo. Eu até gosto da franquia Star Wars, mas foi algo que veio com a maturidade. Então, quando eu li a sinopse de Galaxy of Terror (1981), não vou mentir. Tive um certo preconceito com o longa. E eu estava certa. O filme, produzido por Roger Corman, e que conta com a participação de James Cameron em seu corpo técnico, não é bom mesmo. Ele é o típico longa de sci-fi oitentista de terror que quis mergulhar na onda de Alien (1979). E é óbvio que a cópia não chega aos pés do longa dirigido por Ridley Scott.

 

[Especial Robert Englund]: Os Mortos Vivos (Dead & Buried) — Direção: Gary Sherman

 

 

 

Como eu amo ser surpreendida por um filme. Assisti ontem Os Mortos Vivos (1981), segundo filme do especial do Robert Englund, e fiquei fascinada.

O filme nos leva até uma cidadezinha litorânea acima de qualquer suspeita dos EUA, chamada Potters Bluff. Só que ela não é tão sossegada como parece: os turistas que se aventuram por seus domínios são brutalmente assassinados por uma horda de "cidadãos do bem", munidos de máquinas fotográficas e filmadoras. Por alguma razão, algum tempo depois, esses mortos reaparecem na cidade, se misturando aos outros moradores, como se nada tivesse acontecido. A premissa do longa é muito interessante.

[Especial Robert Englund]: Devorado Vivo (Eaten Alive) — Direção: Tobe Hooper


 



Eu fiquei bastante surpresa com a película. Ela contrariou todas as minhas expectativas. Estamos falando de um filme sobre um crocodilo gigante e dirigido por Tobe Hooper. Pensando no currículo do cineasta, ele havia dirigido dois anos antes o complexo O Massacre da Serra Elétrica, um longa cheio de cenas viscerais. Então, basicamente, eu imaginava que esse filme fosse um show espetacular de gore. Mas não foi o que eu encontrei. Talvez o cineasta quisesse uma censura mais branda para essa película, um apelo mais comercial, já que o anterior chegou a ser proibido em vários lugares do mundo.  Apesar do tom mais light, não se engane, a produção não decepciona nenhum fã de terror e é imperdível. É uma proposta bem diferenciada. Tobe fez uma mescla muito bacana de elementos de slasher e de terror natural, algo que não era comum na época. Hooper nunca teve medo de fazer experimentações cinematográficas.
 

Especial Robert Englund: O homem por trás dos pesadelos


 




“ Uma vez, um psiquiatra me escreveu. Ele tinha um jovem paciente que tinha ouvido falar sobre o Freddy Krueger e estava tendo pesadelos com ele. Eu realmente queria ajudar, então entrei em contato com Robert e perguntei se ele diria algumas palavras para o garoto em uma câmera de vídeo. Não só Robert fez isso, mas ele o fez enquanto estava sendo maquiado e, em seguida, fora de sua maquiagem de Freddy, descrevendo cada passo do caminho, de como Freddy não era nada mais do que látex e cola, e não havia nada com que se preocupar. Pouco depois enviei a fita para o médico, recebi uma carta em troca. O jovem não estava apenas curado, ele queria assistir um filme do Freddy! Ao longo dos anos, passei muitas horas com Robert, especialmente em cidades estrangeiras para festivais de cinema, e constantemente me maravilhei com o seu alcance como celebridade. Ele é reconhecido em todos os lugares, e os sorrisos enormes que se espalham no rosto das pessoas quando o veem não têm preço. Robert Englund é uma dessas raras contradições ambulantes: assustador como o inferno quando está trabalhando; e agradável, espirituoso e erudito quando não está – e ele sempre arranja tempo para os fãs que estão ansiosos para apertar sua mão. Desde que ele o faça sem a luva”. Wes Craven, em trecho da introdução que escreveu para o livro de Robert, Hollywood Monster.


Depois do sucesso meteórico de A Hora do Pesadelo, lançado em 1984, todos os olhares se voltaram para um certo ator, o qual não possuía um grande background dentro de Hollywood. Robert Englund, então com 37 anos, era apenas conhecido por participar de alguns filmes destinados para a TV e por fazer algumas pontas em seriados, como As Panteras. Depois de Freddy, sua vida mudou totalmente. E, hoje em dia, é impossível desvincular o personagem do ator. Mas, durante as gravações do segundo filme, Englund quase ficou de fora da película. O produtor do filme, Bob Shaye, não queria dar um aumento de salário para Robert. Segundo ele, qualquer ator poderia interpretar o personagem por um valor inferior. Foi aí que a produção teve uma “brilhante ideia”: vestiram um assistente de produção com a maquiagem de Freddy e colocaram no estúdio para gravar. O resultado foi um desastre! Shaye percebeu que teria que abrir a carteira. Robert Englund era o corpo e a alma do personagem.

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