Hoje trago um breve panorama sobre a produção audiovisual de horror na Coreia do Sul. Abordarei o desenvolvimento do gênero a partir da década de 1960, passando por temas abordados, longas importantes e diretores fundamentais para o desenvolvimento do terror no país.
Segundo ciclo (1960 – 1970)
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The Housemaid (1960)
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A partir da década de 50, após o fim da invasão japonesa na Coreia do Sul e a interrupção da Guerra da Coreia, tem início a chamada década de ouro do cinema sul-coreano. Nesse período, alguns diretores começam a inserir elementos sobrenaturais em suas narrativas, mas somente a partir de 1960 começam a ser produzidos filmes de horror efetivamente. Nesse momento, as produções são divididas entre várias películas de terror doméstico, e longas sobre lendas e personagens folclóricos coreanos como o gumiho (a raposa de nove caudas) e as wonhon (espíritos vingativos femininos). A premissa desses filmes sempre envolvia a manutenção da moralidade e do conservadorismo. As histórias quase sempre abordavam uma ameaça constante contra os padrões morais e sociais do país, personificados em mulheres, homens adúlteros, fantasmas e criaturas mágicas.
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| Thousand Years Old Fox (1969) |
A maioria das produções cinematográficas tinham o lar como a principal locação. Porém, segundo os pesquisadores Alison Peirse e James Byrne [1], a inserção do gumiho nas narrativas de terror permitiu uma ampliação do leque temático das películas, retirando o horror sul-coreano de espaços claustrofóbicos domésticos e urbanos. A região rural do país passa a ser um cenário comum nos filmes. Esse tipo de ambientação também é explorada pelas produções com monstros gigantes que começaram a se popularizar pela Ásia após a concepção de Godzilla (1954). São os chamados Kaiju Eiga, longa-metragens e séries nipônicas carregados de efeitos especiais. A Coreia do Sul não ficou para trás e, em 1962, uma das lendas sul-coreanas mais famosas foi levada para as telonas. Trata-se de Bulgasari, película dirigida por Kim Myeong-je. Esse filme, que aborda a história de um monstro gigantesco devorador de metal, serviu de inspiração para o único longa de gênero fantástico criado pela Coreia do Norte, Pulgasari (1985). Bulgasari, porém, não foi um caso isolado. Outras produções começaram a explorar o tema na filmografia sul-coreana, como Yongary (1967), The Host (2006), Sector 7 (2011), Monstrum (2018), entre outros.
A guerra entre as Coreias também é um tema constante no cinema de horror sul-coreano desde 1950. Como o conflito nunca terminou de fato, paira no ar uma angústia provocada pela imprevisibilidade dos governantes da Coreia do Norte. E como longa-metragens de terror costumam funcionar como um mecanismo de catarse e escapismo, vários títulos começaram a ser produzidos explorando essa temática. Muitos deles possuem, inclusive, uma crítica velada ao regime comunista do país vizinho.